
Ministro luxemburguês defende mobilização de partidos e sindicatos para contrariar efeitos da austeridade
Remich, Luxemburgo, 19 mai (Lusa) - O ministro do Trabalho do Luxemburgo, Nicolas Schmit, defendeu a necessidade de se mobilizar as forças políticas de progresso e os sindicatos para construir "contra-poderes" que contrariem os efeitos da crise, nomeadamente em Portugal.
"Vivemos uma fase em que é importante construir contra-poderes e, para isso, é preciso mobilizar as forças de esquerda e os sindicatos", disse Nicolas Schmit à agência Lusa, à margem de um encontro sindical promovido pela CGTP e pela sua congénere luxemburguesa (OGBL), que hoje terminou no Luxemburgo.
O governante luxemburguês considerou que a Europa vive sob uma ideologia neo-liberal, e uma política de austeridade que visa desmantelar a proteção e, consequentemente, o modelo social europeu.
"É urgente opormo-nos a isto", disse o ministro, reconhecendo, no entanto, a necessidade de combater o défice e a dívida.
"Mas [esse objetivo] deve ser conseguido com políticas de crescimento económico e não com a brutalidade da consolidação orçamental", afirmou, defendendo a necessidade da regulamentação financeira, de modo a evitar que as finanças continuem a impor a lei.
"Atualmente a política é impotente contra o mercado", considerou.
O governante defendeu que a mobilização das forças de progresso, nomeadamente os sindicatos, podem combater as consequências das atuais políticas para evitar o agravamento da situação, "antes que nos afundemos mais", alertou.
Nicolas Schmit referiu o caso da Grécia, que "atravessa uma crise económica, social e política", mas considerou que os países do Norte da Europa também não estão imunes.
"O agravamento da austeridade não é uma solução", disse o ministro luxemburguês, considerando que a receita também se aplica a Portugal.
"O povo português tem sido corajoso, tem passdado por muito sofrimento, mas há limites à imposição de políticas de austeridade; é preciso mudar de politicas", considerou.
O ministro defendeu que só com políticas de crescimento económico e justiça social será possível sair da recessão económica.
No Luxemburgo vivem perto de 107 mil portugueses, e o desemprego entre a comunidade portuguesa representa cerca de 35 por cento do total.
RRA.
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