
MNE russo apela para a necessidade de evitar "histeria" em torno do grupo Pussy Riot
Helsínquia, 20 ago (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, apelou hoje, em Helsínquia, para a necessidade de evitar um clima de "histeria" em torno da condenação de três elementos do grupo 'punk' feminino russo Pussy Riot.
"Existe ainda a possibilidade de recurso e os advogados das jovens já manifestaram essa intenção", afirmou Lavrov, durante uma conferência de imprensa na capital finlandesa.
Três membros da banda - Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Ekaterina Samoutsevitch, de 30, e Maria Alekhina, de 24 -, foram condenadas, na última sexta-feira, a dois anos de prisão por um tribunal de Moscovo por "vandalismo" e "incitamento ao ódio religioso". O tribunal Khamovnitcheski estabeleceu um prazo de dez dias para o recurso.
"Não se devem tirar conclusões precipitadas e entrar em histeria", acrescentou o chefe da diplomacia russa, sem mencionar ninguém em particular.
A condenação das três jovens do grupo Pussy Riot foi fortemente criticada pela comunidade internacional.
Várias vozes internacionais, como os Estados Unidos ou a União Europeia, consideraram a sentença "desproporcional".
Lavrov, o primeiro membro do Governo russo a pronunciar-se sobre este assunto, sublinhou igualmente que o executivo de Moscovo não interferiu no processo judicial e que as decisões foram tomadas com total independência.
"É inaceitável a ingerência no trabalho dos tribunais", reforçou.
"Quero recordar a todos aqueles que afirmaram que o nosso tribunal tomou a decisão sob pressão que, na véspera do anúncio do veredicto, o Presidente russo pediu à instância para que fosse complacente com as jovens", referiu.
O ministro russo indicou ainda que este tipo de condenação poderia ocorrer em outros países.
"Na Alemanha, o sacrilégio em igrejas é passível de uma pena de prisão até três anos, em França acho que pode ser até dois anos de prisão, na Áustria são seis meses e na Finlândia dois anos. Li que em Israel um homem foi condenado a dois anos de prisão por ter levado uma cabeça cortada de um porco a um monte sagrado", salientou Lavrov.
A 21 de fevereiro deste ano, cinco mulheres entraram encapuzadas na catedral do Cristo Redentor (ortodoxa) em Moscovo e cantaram uma espécie de oração de protesto na qual pediam à Virgem para "perseguir" o Presidente russo, Vladimir Putin.
SCA.
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