
Moscovo interroga-se sobre respeito de Londres em relação aos princípios diplomáticos
Moscovo, 17 ago (Lusa) - Moscovo interroga-se sobre o respeito de Londres pelos princípios diplomáticos, numa altura em que o destino de Julian Assange continua incerto apesar do asilo concedido por Quito, informou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo num comunicado.
O Equador anunciou na quinta-feira ter concedido asilo ao fundador do "site" WikiLeaks, refugiado na sua embaixada em Londres desde 19 de junho, mas o Reino Unido considera que a decisão "não muda nada" e que tem a obrigação de extraditar Assange para a Suécia, que o reclama por dois crimes sexuais.
"O que acontece só nos pode levar a questionar sobre o respeito do espírito e da letra da Convenção de Viena acerca das relações diplomáticas, em particular do seu artigo 22 sobre a imunidade das instalações das representações diplomáticas", refere o ministério.
Quito anunciou que o Reino Unido poderia assaltar a sua missão diplomática em Londres caso o australiano não fosse entregue às autoridades britânicas. Londres poderá justificar uma intervenção desse tipo com uma lei de 1987 que permite levantar a imunidade de uma embaixada em solo britânico.
O governo equatoriano não exclui queixar-se ao Tribunal Internacional de Justiça, órgão judicial das Nações Unidas, para obrigar as autoridades britânicas a deixarem partir Julian Assange para o Equador.
A diplomacia russa assinalou que o Reino Unido deu asilo a "dezenas de suspeitos de delitos graves", entre os quais vários russos.
Moscovo censura Londres por ter concedido asilo político a vários russos, entre os quais o milionário e opositor do Kremlin Boris Berezovski.
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