ONU acusa regime e rebeldes sírios de não protegerem civis

ONU acusa regime e rebeldes sírios de não protegerem civis

Damasco, 18 ago (Lusa) - O chefe da missão da ONU em Damasco, general Babacar Gaye, acusou o exército sírio e os rebeldes de não garantirem a proteção de civis na Síria, onde combates fazem diariamente dezenas de mortos.

"As duas partes têm obrigações no âmbito do direito humanitário internacional, no sentido de garantir a proteção dos civis", disse aos jornalistas em Damasco o chefe da UNSMIS, na véspera de deixar a Síria, lamentando que "tais obrigações não sejam respeitadas".

Na quinta-feira, o Conselho de Segurança apoiou a proposta do secretário-geral da ONU de substituir a missão de paz na Síria (UNSMIS), cujo mandato termina no domingo à meia-noite, por um gabinete de representação política de menor dimensão.

A equipa da ONU, que chegou a incluir 300 observadores militares, foi destacada no quadro do plano de paz do antigo mediador internacional Kofi Annan, com o objetivo de fiscalizar o cessar-fogo previsto no plano, mas que nunca foi concretizado.

A intensificação da violência levou, em junho, à suspensão das operações dos observadores, muitos dos quais deixaram o país.

"Desde meados de junho, era evidente que as duas partes já não se sentiam comprometidos com o cessar-fogo", referiu o general Gaye, adiantando que o resultado foi a intensificação da violência.

O general senegalês lembrou, no entanto, que a ONU continua implicada na procura de uma solução para o conflito na Síria.

"A ONU não vai deixar a Síria. Vamos continuar a procurar passar da violência para o diálogo", sublinhou, sem explicar sob que forma é que as Nações Unidas iam ficar na Síria.

De acordo com o Obervatório Sírio dos Direitos Humanos, mais de 23.000 pessoas foram mortas em 17 meses na Síria, onde um movimento de oposição pacífico duramente reprimido se transformou gradualmente em insurreição armada.

NV.

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