Países lusófonos não vão conseguir completar as metas dos Objetivos do Milénio

Países lusófonos não vão conseguir completar as metas dos Objetivos do Milénio

Maputo, 20 jul (Lusa) - A maioria dos países lusófonos não conseguirá completar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), estabelecidos pela ONU, informa uma avaliação da sociedade civil divulgada hoje pela agência moçambicana.

Segundo a agência de notícias moçambicana (AIM), uma avaliação comparativa entre o estado atual em que se encontra a maioria dos estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a meta estabelecida para cada ODM faz vislumbrar a incapacidade de se alcançar muitos alvos até 2015.

A avaliação de progresso dos ODM nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada por várias fundações, foi apresentada na quinta-feira durante o Conselho de Ministros do bloco lusófono, em Maputo, pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC).

Nos casos da Guiné-Bissau, de Moçambique, de São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste, a diferença entre a meta da redução da pobreza absoluta para metade até 2015 e a meta atual é claramente insuperável, sendo-o também para Angola relativamente às taxas de morte materno-infantil em consequência de complicações derivadas de parto.

Os ODM foram estabelecidos num quadro global de desenvolvimento humano, operacionalizado através de oito objetivos principais estabelecido pelas Nações Unidas, cuja maioria deve ser alcançada até 2015, tendo 1990 como ano base.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio são a erradicação da pobreza extrema e a fome; atingir a educação básica de qualidade para todos; promover a igualdade entre os sexos e a capacidade da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV/SIDA, a malária e outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento.

A avaliação da sociedade civil foi apresentada pelo moçambicano Tomás Vieira Mário e indicou que o Brasil e Cabo Verde atingem a maioria das metas do milénio até 2015.

Moçambique e Angola possuem potencial para atingir parte significativa das metas do milénio, mas ficam aquém das metas mais críticas, que são a redução dos índices de pobreza para metade, além da mortalidade materno-infantil.

Em relação à Guiné-Bissau, a avaliação indica que a crónica instabilidade política que se prolonga há 14 anos constitui um fator de bloqueio a quaisquer esforços rumo à redução dos altos índices de pobreza, sendo improvável que o país alcance qualquer dos oito ODM.

São Tomé e Príncipe apresenta grandes progressos rumo ao acesso universal ao ensino básico, mas tem sérios desafios na maioria dos restantes ODM, com destaque para a sustentabilidade ambiental.

Timor-Leste regista progressos assinaláveis em relação ao ensino básico, com o ensino primário e secundário totalmente gratuitos. No entanto, os dados disponíveis indicam tendência de aumento dos índices da pobreza e taxas demasiado altas de mortalidade materna e infantil.

Segundo a avaliação, Portugal enfrenta desde 2010 a pior crise económica da sua democracia, provocada pela crise da dívida soberana.

Os índices de desemprego estavam projetados para 15 por cento em 2010. O país ficará longe das metas estabelecidas pela União Europeia, em matéria de ajuda pública ao desenvolvimento, estabelecida em 0,33 por cento do Rendimento Nacional Bruto (RNB), já que em 2006 a sua contribuição foi apenas até 0,26 por cento do seu RNB.

O Conselho de Ministros da CPLP realizou-se na véspera da IX Cimeira de chefes de Estado e de Governo do bloco lusófono, que decorre hoje, em Maputo.

CSR.

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