
Parvalorem reivindica créditos de mil milhões de euros à SLN no caso BPN
Lisboa, 19 jun (Lusa) - Um dos três veículos criados pelo Estado para absorver as imparidades do BPN, a Parvalorem, tem uma exposição de mil milhões de euros à SLN, antiga dona do banco nacionalizado em 2008, revelou hoje um administrador da entidade.
"A Parvalorem reivindica créditos à SLN (Sociedade Lusa de Negócios) no montante de mil milhões de euros", afirmou Mário Gaspar, administrador da Parvalorem, durante a sua audição na comissão de inquérito parlamentar ao Banco Português de Negócios (BPN).
"A Galilei (ex-SLN) amortizou parte das suas responsabilidades, mas não tanto quanto queríamos", sublinhou o responsável, explicando que os créditos em causa foram concedidos a várias empresas do agora denominado grupo Galilei.
Um dos ativos do BPN que passou para as mãos da Parvalorem foi o Banco Efisa, que continua com capitais próprios negativos, segundo Mário Gaspar.
"A Parvalorem e a Parups receberam ativos do Banco Efisa e esta operação permitiu eliminar grande parte dos capitais próprios negativos do banco, mas basta olhar para as suas contas para concluir que o Banco Efisa é um banco deficitário", explicou.
"Os resultados também continuam negativos. Mas convém lembrar que não há concessão de crédito por parte do Banco Efisa. O nível de crédito vencido em carteira também tem vindo a aumentar. Não é possível contabilizar o valor do Banco Efisa", afirmou Mário Gaspar, depois de ter sido questionado sobre quanto vale hoje a entidade bancária e porque é que a mesma não é vendida.
"O Banco Efisa está numa situação difícil, não sei quanto vale", reforçou, acrescentando que o banco, para voltar ao mercado, teria que reforçar os rácios de capital de forma a cumprir os requisitos do Banco de Portugal.
"As necessidades de capital ascendem a 17,5 milhões de euros", avançou Mário Gaspar.
Dada a situação delicada do banco, a sua venda parece complicada, pelo que, conforme admitiu o responsável, perante as questões dos deputados, "a liquidação é uma solução que está em cima da mesa".
Mário Gaspar revelou ainda que 50 por cento do crédito concedido pelo Banco Efisa está afeto a apenas 2 por cento dos seus clientes (empresas e acionistas da ex-SLN), sendo que o mesmo está "deficientemente garantido" e com "um 'pricing' sem racional".
No total, o volume de crédito do Banco Efisa atinge os 6,5 mil milhões de euros, adiantou o responsável.
Por tudo isto, Mário Gaspar concluiu que o Banco Efisa tem "um cenário negro".
DN.
Lusa/Fim







































