
PCP acusa Governo de ter "falta de vontade política" para pôr o aeroporto de Beja a funcionar
Beja, 30 jul (Lusa) - O PCP acusou hoje o Governo de ter "falta de vontade política" para pôr o aeroporto de Beja a funcionar e lamentou as incertezas sobre outros projetos do Alentejo, como o Alqueva e a construção da A26.
Em relação ao aeroporto de Beja, há "um acumular de atrasos que não serão benéficos" e "uma grande falta de vontade política" do Governo "em resolver o problema" e pôr a infraestrutura a funcionar, disse o deputado do PCP eleito por Beja, João Ramos.
O deputado falava numa conferência de imprensa, em Beja, que serviu para fazer o balanço da sua atividade na última sessão legislativa na Assembleia da República.
Segundo o deputado, a "prova" da "falta de vontade política" do Governo, que "tem de ser ultrapassada", está sobretudo no atraso de seis meses na criação do grupo de trabalho para definir formas de rentabilização do aeroporto de Beja.
Por outro lado, "muitas vezes", as forças políticas que suportam o Governo PSD/CDS-PP referem-se ao aeroporto de Beja como sendo um "elefante branco", disse.
João Ramos frisou também que há "atrasos" no processo de captação de investimentos e procura de soluções para o aeroporto de Beja, que devia ter começado quando arrancou a construção da infraestrutura aeroportuária.
O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011, quando se realizou o voo inaugural e, na maioria dos dias, tem estado aberto, mas praticamente vazio, sem voos e passageiros.
Em relação ao Alqueva, "a incerteza é muita", disse João Ramos, referindo que "não há garantias financeiras" para o Governo cumprir o "compromisso político assumido pelo primeiro-ministro", Pedro Passos Coelho, de concluir o projeto em 2015.
"Bruxelas ainda não aceitou as restruturações financeiras necessárias" para concluir o empreendimento em 2015, disse João Ramos, referindo que a conclusão do Alqueva "sofreu um atraso incompatível" com investimentos agrícolas privados, os quais "precisam que a água chegue rapidamente sob pena de inviabilização".
Por outro lado, lamentou, "continua a não ser feita a promoção da utilização da terra potencialmente regada" pela água do Alqueva.
A conclusão do projeto Alqueva, inicialmente prevista para 2025, foi revista pelo anterior Governo PS para 2015 e, depois, antecipada para 2013, o que o atual Executivo PSD-CDS/PP disse que "não é possível", tendo assumido o compromisso de concluir as obras em 2015.
João Ramos lamentou ainda a paragem das obras de construção da A26, entre Sines e Beja, e de requalificação do IP2, nos troços São Manços/Beja e Beja/Castro Verde, incluídas na subconcessão Baixo Alentejo, e disse que "o Governo não consegue que o concessionário cumpra os contratos".
Segundo João Ramos, "o grupo parlamentar do PCP foi o que mais trabalhou em prol do distrito de Beja" na passada legislatura, tendo apresentado 58 perguntas (contra 18 do PS e duas do PSD) e quatro projetos de resolução (contra um do PSD e nenhum do PS) sobre matérias do distrito.
LL.
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