
Seguro contra "dupla penalização" do interior no acesso à saúde
Miranda do Douro, Bragança, 24 fev (Lusa) - O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou existir uma "dupla penalização" do interior relativamente ao acesso à saúde, lembrando que o memorando assinado com a "troika" não implica uma diminuição da "qualidade da prestação dos serviços públicos".
"Há aqui uma dupla penalização porque as taxas moderadoras aumentaram exageradamente, como todos nós sabemos, mas as pessoas que vivem no interior têm de pagar ainda mais e, muitas vezes, mais do que a própria taxa moderadora com a deslocação que fazem em termos de transportes", constatou António José Seguro, que iniciou por terras mirandesas, junto à raia, o Roteiro do Interior que o levará aos oito distritos mais isolados do país.
Seguro lembrou ainda que o memorando da "troika", "tantas vezes é utilizado para exigir tantos sacrifícios aos portugueses", fala na "necessidade de racionalização, mas com um objetivo: o de não se diminuir a qualidade da prestação dos serviços públicos".
"Ora, aqui está um exemplo de como é possível e deve ser desejável conseguir racionalizar e simultaneamente fazer com que os portugueses tenham acesso aos serviços de saúde a tempo e não haja discriminação do ponto de vista da sua residência ou dos seus rendimentos familiares", declarou.
Com o roteiro que está a cumprir, o líder socialista disse ter como objetivo "ter um conhecimento ainda mais aprofundado dos problemas do interior" e acrescentar a sua voz "à daqueles que vivem no interior e que precisam que se chame a atenção do Governo para que exista um outro olhar para o Interior".
Olhar que "não passe por políticas de encerramento, de extinção ou de deslocação de serviços, colocando áreas tão importantes como a saúde ou a justiça, distantes da vida das pessoas".
A saúde é um problema transversal que acredita encontrará em todos estas regiões com unidades e cuidados distantes das populações, para quem o custo maior nem sempre corresponde às taxas moderadoras.
De resto, o acesso à saúde obriga muitas vezes a população de Miranda do Douro recorrer a serviços de saúde em Espanha para encurtar as distâncias que os separa dos principais hospitais portugueses.
Na terra da segunda língua oficial de Portugal, Seguro tentou fazer o cumprimento inicial em mirandês, e ouviu de um mirandês, Carlos Ferreira, as queixas contra a centralização de Lisboa, mas também um alerta para "acabar com a ideia de que em todo o interior vivem uns poucos condenados".
"Viver no interior é uma condição muito difícil", constatou, o líder do PS, mesmo na terra da posta mirandesa, dos pauliteiros, das gaitas de fole, com um rico património cultural que já assistiu a várias revoluções que melhoraram a sua condição de vida, mas foi perdendo ao longo dos tempos, como contou o autarca socialista, Artur Nunes.
Primeiro foram as barragens do Douro Internacional, depois a abertura das fronteiras que trouxe os espanhóis, o principal motor económico do concelho, e ainda o pólo da universidade de Trás-os-Montes e Alto com 400 alunos, que, entretanto, encerrou.
O Roteiro do Interior começou em Miranda do Douro, segue ainda hoje para Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo.
Sábado, percorrerá vários concelhos da Guarda e, no domingo, de Vila Real.
A iniciativa termina a 03 de março , em Castelo Branco, com uma conferência nacional sobre a "Defesa do Interior".
HFI/PGF.
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