Sindicato da Construção acusa ministro da Economia de "falta de capacidade negocial" no túnel do Marão

Sindicato da Construção acusa ministro da Economia de "falta de capacidade negocial" no túnel do Marão

Vila Real, 09 ago (Lusa) - O Sindicato da Construção de Portugal acusou hoje o ministro da Economia de "falta de capacidade negocial" no caso da Autoestrada do Marão, cuja construção está parada há 13 meses.

O sindicato, em comunicado, voltou a chamar a atenção para a obra suspensa desta autoestrada que vai ligar Amarante a Vila Real e inclui um túnel rodoviário com 5.6 quilómetros.

"Esta situação é reveladora da falta de capacidade negocial de Álvaro Santos Pereira para com os parceiros sociais, dado se arrastarem as negociações há mais de um ano", refere o comunicado.

Por "provas dadas de incompetência negocial"e "para bem da economia portuguesa", o sindicato pede, outra vez, ao primeiro-ministro a substituição do ministro da Economia.

E responsabiliza ainda Álvaro Santos Pereira se, aquando da "reabertura dos túneis", "houver alguma morte pela jornada de trabalho ser longa e com grande intensidade".

O Sindicato da Construção de Portugal lembrou ainda a informação avançada inicialmente, quando a obra foi suspensa a 27 de junho de 2011, de que os trabalhos seriam retomados "passados 60 dias".

"Mas matemática é matemática, já lá vão 480 dias e os túneis continuam parados e a provocarem prejuízos de milhões a vários níveis", pode ainda ler-se no documento.

Segundo o sindicato, os prejuízos contabilizam-se nos "milhões de euros de manutenção", nas "dezenas de empresas que foram à falência", nos "trabalhadores que estão a recorrer ao banco alimentar" e nos outros que "foram levados para França e tratados como escravos por redes mafiosas".

A edição de quarta-feira do Jornal de Negócios referiu que a Somague, construtora responsável pelas obras, avançou com uma ação em tribunal para rescindir o contrato com o Estado, alegando incumprimento.

Segundo aquele diário, a falta de acordo com o Estado e o impasse criado terão levado os bancos credores a ponderar a negociação direta com o Estado, assumindo o capital da concessionária.

Caso se concretize esta opção, que passará pela saída destas instituições da estrutura acionista, as obras poderão continuar com a adjudicação a outra empresa.

Fonte do Ministério da Economia escusou-se a comentar esta notícia, lembrando apenas que o Governo "está comprometido" com a construção da autoestrada, tanto mais que averbou 200 milhões de euros da reprogramação estratégica do QREN para terminar a infraestrutura.

A fonte referiu ainda que o Estado já investiu cerca de 197 milhões de euros diretamente com esta empreitada.

A 27 de junho de 2011 e pela terceira vez desde o início da empreitada no verão de 2009, as obras nesta autoestrada foram suspensas. Primeiro por causa de duas providências cautelares e depois alegadamente devido a falta de financiamento, o facto é que o Túnel do Marão conta já com 20 meses de atraso.

A primeira previsão para a conclusão da obra apontava para o início de 2012.

Esta autoestrada, que inclui o maior túnel rodoviário da Península Ibérica, tinha um custo inicial estimado de 350 milhões de euros, em pico de obra chegou a dar emprego a 1.400 trabalhadores e a envolver cerca de 90 pequenas empresas.

PLI.

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