Standard & Poor's já espera recessão na zona euro este ano e menos crescimento em 2013

Standard & Poor's já espera recessão na zona euro este ano e menos crescimento em 2013

Lisboa, 30 jul (lusa) - A Standard & Poor's reviu hoje em baixa as suas projeções para a zona euro, esperando agora que os países do euro terminem 2012 com uma recessão de 0,6 por cento, que cresça apenas 0,4 por cento em 2013.

De acordo com um relatório publicado hoje pela agência de notação financeira, "os últimos indicadores económicos sugerem que a maioria das economias europeias está cada vez mais próxima da recessão e que os principais países da União Económica e Monetária europeia estão a ser cada vez mais afetados".

Segundo a agência de 'rating', algumas das pressões ao desempenho económico da zona euro são provenientes de uma recuperação mais lenta que a esperada das economias emergentes, mas os problemas são essencialmente domésticos.

Os analistas da agência dizem que a desalavancagem simultânea no setor público, privado e na banca estão a colocar entraves ao crescimento económico.

Este processo atingiu níveis diferentes nos diferentes países mas a agência diz que espera que a desalavancagem "demore ainda vários anos ficar completa" e que este processo "aumenta a probabilidade de 2013 vir a ser mais um ano de crescimento muito fraco, na melhor das hipóteses".

A Standard & Poor's diz ainda que os bancos estão a usar o financiamento do Banco Central Europeu para os seus próprios processos de desalavancagem ao invés de reconduzir essa liquidez para o setor privado, limitando assim a eficácia das medidas tomadas pelo BCE.

A Agência diz ainda que com os bancos começaram a ter cada vez maior relutância em emprestarem dinheiro entre si ao mesmo tempo que a regulação desencorajou os bancos com excedentes a tomar mais riscos. Esta situação prejudicou os bancos da periferia que se viram obrigados a pagar os seus empréstimos aos bancos do norte e ainda a continuar a financiar os défices externos dos seus países (Itália, Espanha, Grécia, Portugal). Tudo somado, o BCE teve de intervir e acabou por via indireta a financiar os défices externos dos países da periferia através dos seus empréstimos aos bancos.

NM.

Lusa/fim