Turquia defende zona-tampão para conter fluxo de refugiados sírios

Turquia defende zona-tampão para conter fluxo de refugiados sírios

Ancara, 20 ago (Lusa) - A Turquia não poderá acolher mais de 100.000 refugiados sírios no seu território e poderá ser necessária uma zona-tampão para conter o atual fluxo, considerou hoje o ministro turco dos Negócios Estrangeiros.

"Caso o número de refugiados ultrapasse os 100.000, não os poderemos acolher na Turquia. Deverão ser acolhidos em território sírio", sustentou Ahmet Davutoglu em declarações ao diário Hurriyet.

O chefe da diplomacia turca sugeriu, caso a situação se confirme, que a ONU instale campos de refugiados "nas fronteiras da Síria" para conter o fluxo de pessoas deslocadas.

Davutoglu indicou que a Turquia vai participar na reunião ministerial do Conselho de Segurança da ONU agendada para 30 de agosto em Nova Iorque e organizada pela França, para examinar a situação humanitária na Síria e nos países vizinhos, e disse que esperava uma decisão do encontro.

Davutoglu considerou ainda que a crise na Síria "constitui um risco de segurança para os países limítrofes", numa referência à Turquia, Jordânia e Líbano, que acolhem refugiados sírios, e exortou a ONU a "intervir em conformidade com a sua missão".

Caso contrário, prosseguiu o ministro, "a ONU perderá o seu prestígio e teremos o direito de nos interrogar sobre a sua missão", precisou a agência noticiosa turca Anatolia.

A Rússia e a China já exerceram por três vezes o seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU contra resoluções que ameaçavam com sanções o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad.

Na última semana registou-se um aumento do fluxo de refugiados na Turquia, atualmente cerca de 70.000, devido à ofensiva do exército sírio e aos combates em Aleppo (norte).

No fim de semana, as autoridades turcas começaram a distribuir ajuda aos deslocados que permanecem em território sírio, e que são forçados a permanecer na "terra de ninguém", junto às fronteiras dos dois países vizinhos.

A Turquia tinha já sugerido a formação de uma zona-tampão na sua fronteira com a Síria, mas o aumento do ritmo da chegada de refugiados fez recear a repetição do cenário registado durante a Guerra do Golfo em 1991, quando 500.000 curdos iraquianos se concentraram na fronteira comum.

PCR.

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