Vizinha do Túnel do Marão espreita todos os dias para ver se já há movimentações

Vizinha do Túnel do Marão espreita todos os dias para ver se já há movimentações

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Vila Real, 23 jun (Lusa) - Vizinha do Túnel do Marão, Maria da Graça espreita todos os dias para ver se há movimentações e garante que são muitos os que param ali para tentar perceber o mistério das obras paradas.

O Túnel do Marão, inserido na autoestrada que vai ligar Amarante a Vila Real e cujas obras estão paradas há um ano, transformou-se numa atração turística.

Maria da Graça vive na Boavista, aldeia do concelho de Vila Real que fica a poucos metros de uma das bocas do túnel.

Todos os dias sai de casa para caminhar um pouco e todos os dias espreita para a obra na esperança de ver alguma movimentação.

"Agora vejo ali os buracos e uns ferritos, mais nada. Já levaram tudo. É uma pena isto estar parado, mas diz que eles não têm dinheiro", afirmou esta reformada à Agência Lusa.

O marido acompanha-a nestes passeios. "É um prejuízo muito grande e uma vergonha se isto ficasse assim", salientou Damásio Nogueira.

E, quando há sol, mais vizinhos se juntam num pequeno largo na estrada nacional. Assistiram ao desmontar das máquinas, à retirada de material e à partida dos trabalhadores.

Deste lado da serra, permanecem apenas, segundo José Luís Alves, dois guardas. Com casa mesmo ao lado da obra, este popular até está contente com a paragem porque agora consegue "dormir em paz" e "já não há tanto pó". "Passa aí muita gente para ver as obras paradas", garantiu.

A 27 de junho de 2011 e pela terceira vez desde o início da empreitada no verão de 2009, os trabalhos nesta autoestrada foram suspensos.

Primeiro por causa de duas providências cautelares e depois alegadamente devido à falta de financiamento, o facto é que a Autoestrada do Marão conta já com 20 meses de atraso.

O secretário do Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, garantiu esta semana à Lusa que a "obra é mesmo para avançar" e referiu que o Governo vai reservar 200 milhões de euros de fundos comunitários para concluir a autoestrada.

Não há é prazo previsto ou anunciado. E, enquanto em Lisboa prosseguem as negociações, na serra os pequenos empresários esperam e fazem contas à vida.

Osvaldo Magalhães é sócio de uma empresa que chegou a fornecer quatro mil litros de combustível só para uma das frentes de obra do túnel. O abastecimento tinha que ser feito diariamente e, para o efeito, a empresa teve que adquirir um camião cisterna com mais capacidade.

Agora, Osvaldo Magalhães diz que está tudo "em stand by". "Estamos à espera de uma resolução, neste caso de uma resolução benéfica", frisou.

Proprietário de um restaurante no centro da Campeã, Amaro Dinis, referiu que chegou a servir "60 a 70 refeições por dia" quando os trabalhos estavam a decorrer e, agora, serve apenas "10 ou 15".

"Tivemos que contratar uma empregada e mantemo-la na expetativa de que a obra continue", sublinhou.

De acordo com o presidente da Junta da Campeã, Lino Carvalho, algumas dezenas de pessoas da freguesia trabalhavam na autoestrada.

Em consequência da paragem, muitos estão no desemprego, enquanto outros, principalmente os mais novos, partiram para outras zonas do país ou até mesmo para o estrangeiro.

"O desemprego se já nos afetava, com a paragem ainda nos afetou mais", sublinhou.

PLI.

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