Sitges, Espanha, 31 mai (Lusa) - O The Wall Street Journal afirma hoje que o Governo está a negociar com o FMI um eventual plano de contingência para um empréstimo a Espanha, mas o ministro da Economia, Luis de Guindos, considerou a notícia "sem sentido".

Esse empréstimo do Fundo Monetário Internacional seria destinado a apoiar Espanha caso o país não consiga o financiamento necessário para resgatar o Bankia, um dos maiores bancos espanhóis, que necessita de um total de 23.400 milhões de euros.

De Guindos considerou "rumores sem sentido" a informação publicada na edição digital do The Wall Street Jounal, que referia que o FMI teria previsto um plano de contingência para Espanha que poderia chegar aos 300.000 milhões de euros.

Segundo referiu, as notícias são um exemplo de que no atual contexto "difícil" aparecem "rumores em todos os lados", os quais, neste caso, nem sequer vale a pena desmentir.

O governante lamentou que este "nervosismo" tenha acabado por ter "impacto na atividade económica real" espanhola.

Segundo o The Wall Street Journal, que cita fontes envolvidas na gestão da crise espanhola, o departamento europeu do FMI começou a debater planos de contingência para um crédito de resgate a Espanha para o caso de o país não conseguir captar fundos necessários para resgatar o Bankia.

"Um melhor cenário será claro depois da análise do FMI sobre a economia espanhola que começar a 04 de junho", disseram as fontes.

"Alguns referem que um resgate espanhol é inconcebível, mas é igualmente inconcebível que preparativos não estejam a ser feitos para essa eventualidade", referiram.

De Guindos admitiu que o Governo espanhol está a viver um "momento complicado" desde que tomou posse, devido ao aumento do risco da divida (em valores recorde), às quedas na bolsa (que está em níveis de 2003) e às "dúvidas" sobre o que "vai acontecer com o projeto do euro".

As notícias do The Wall Street Journal surgem horas depois de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ter afirmado que o governo espanhol atuou da "pior maneira possível" no resgate do Bankia, ao "subestimar" inicialmente o problema.

Citado pelas agências de notícias espanholas, Draghi disse que isso pode levar a que o resgate seja mais caro, um erro, considerou, que já foi cometido por outros países, como a Bélgica no caso do banco Dexia.

"O que mostram os casos do Dexia e do Bankia é que, quando nos enfrentamos com dramáticas necessidades de recapitalização, a reação dos Governos ou dos supervisores nacionais é subestimar a importância do problema, apresentar uma primeira avaliação, depois uma segunda, uma terceira, uma quarta", disse Draghi na comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu.

"Essa é a pior maneira possível de fazer as coisas, porque ao final todos acabam por fazer o correto, mas ao custo mais alto possível", disse.

Nesse sentido, Draghi alertou os governos europeus de que é melhor "errar por excesso ao início do que errar por defeito", procurando na avaliação das necessidades de capitalização dos bancos "exceder-se na transparência".

Na opinião do presidente do BCE, a principal lição que se tira da crise do Bankia é que "é necessária uma maior centralização da supervisão bancária".

"Especialmente para os grandes grupos sistémicos. E sistémico não significa necessariamente transfronteiriço, como podemos ver com o Bankia: não é transfronteiriço, mas é sistémico", disse.

O Bankia e a sua holding (BFA) necessitarão de um resgate total de mais de 23.400 milhões de euros, com o apoio total ao setor financeiro espanhol a poder ultrapassar os 60.000 milhões de euros.

ASP.

Lusa/fim.