actualizado: Fri, 28 Mar 2014 16:13:32 GMT | de Lusa

Primeiro-ministro da Turquia confronta-se com teste em eleições municipais

Os turcos são convocados às urnas no domingo para um escrutínio municipal em clima político de alta tensão que se perspetiva como um referendo para o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, alvo de contestação sem precedentes.


SEDAT SUNA/EPA

SEDAT SUNA/EPA

Dez meses após a revolta antigovernamental nas principais cidades do país, que fez tremer o regime, Erdogan e o seu Partido da Justiça e do desenvolvimento (AKP no poder desde 2002), enfrentam este teste eleitoral numa posição difícil e no início de um ciclo crucial, com as presidenciais agendadas para agosto e as legislativas em 2015.

O primeiro-ministro e chefe até agora incontestado da maioria islamita-conservadora, confronta-se desde 17 de dezembro com graves acusações de corrupção após a difusão na internet de diversas e comprometedoras conversações telefónicas pirateadas, violentamente criticadas na Turquia e no exterior.

No decurso da campanha eleitoral, que decorreu em tom muito áspero, o primeiro-ministro contra-atacou ao denunciar uma “conspiração” urdida contra si pelos ex-aliados da confraria do predicador muçulmano Fethullah Gullen, e apelou aos seus apoiantes para lhe infligirem “uma boa lição” em 30 de março.

“A sua estratégia é simples, lavar nas urnas as acusações de corrupção”, considerou Sinan Ulgen, do centro de pesquisas Edam de Istambul, citado pela agência noticiosa AFP.

Mas os seus discursos contra os “terroristas” ou os “traidores”, as purgas na polícia e na justiça – considerados bastiões da confraria Gullen –, as novas leis consideradas um atentado às liberdades ou o bloqueio do Twitter e do YouTube, radicalizaram como nunca o debate político no país.

Em 12 de março, centenas de milhares de turcos voltaram a desafiar o AKP e Erdogan nas ruas durante o funeral de um adolescente, morto na sequência de ferimentos durante os protestos de junho de 2013, para exigir a demissão do primeiro-ministro, a que chamaram assassino.

Ao pretender aproveitar a atual situação, a oposição também já referiu que o escrutínio de domingo deverá assinalar um voto de desconfiança face a quem agora designam abertamente de “ladrão” ou “ditador”.

Os institutos de sondagens turcos preveem um recuo do AKP, que nas legislativas de 2011 garantiu 50% dos votos, mas longe do colapso ambicionado pelos seus adversários, sendo agora atribuída à formação islamita entre 35% a 45% das intenções de voto.

Apesar de acossado por escândalos e polémicas, Erdogan mantém-se o político mais popular do país e o AKP, que venceu todas as eleições desde 2002, prepara-se para voltar a ser o partido mais votado no domingo, à frente do Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata e fundado por Ataturk), e do Movimento de Ação Nacionalista (MHP, direita radical).

Erdogan, que na sexta-feira foi forçado a suspender a campanha devido a problemas nas cordas vocais, continua a ser definido como um político hábil e com capacidade para exercer pressão sobre todas as instituições turcas. “É difícil quantificar o recuo que vai registar, mas existem poucas hipóteses que a sua popularidade seja posta em causa”, considerou Brent Sasley, um politólogo na universidade do Texas.

Os responsáveis do partido já indiciaram que um resultado superior aos 38,8 por cento recolhidos nas municipais de 2009 seria considerado uma vitória. E durante a campanha Erdogan proclamou publicamente, numa ilustração de autoconfiança, que abandonaria a vida política em caso de derrota do AKP nas eleições de domingo.

A conquista da capital Ancara pela oposição, considerada provável, ou de Istambul, onde Erdogan iniciou a sua carreira quando assumiu a presidência da câmara local, serão consideradas pesadas derrotas políticas e com sérias consequências.

“Os resultados de domingo vão determinar em larga medida a sua estratégia para os próximos meses”, prognosticou o politólogo Cengiz Aktar, da universidade Sabanci de Istambul.

Em caso de vitória confortável, o primeiro-ministro poderá apresentar-se às eleições presidenciais de 10 de agosto, que pela primeira vez se disputam por sufrágio universal direto.

Caso contrário, e como já admitiu, poderá alterar os estatutos do AKP, que o impedem de cumprir mais de três mandatos como líder, antecipar as legislativas previstas para 2015 e solicitar um novo mandato na chefia do governo.

PCR // APN

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