Protesto ‘Cerca o Congresso’ em Espanha gera debate entre políticos e deputados

© 2012
epa03409495 Police set up barriers and a tighten security around the lower house of Spanish parliament in Madrid, Spain, 25 September 2012, as the protest movement known as 'Indignados' has planned to converge around the building during the day's plenary session. Spanish media reported that more than 1,300 police officers would be deployed for today’s demonstration. EPA/CHEMA MOYA
Madrid, 25 set (Lusa) – O protesto cidadão ‘cerca o Congresso’, convocado para a tarde de hoje em Madrid, está a suscitar debate entre políticos e deputados espanhóis com alguns a queixarem-se do “anormal” controlo policial em torno do edifício.
“Isto é incrível, um acosso contínuo. Um estado policial é algo muito parecido”, escreveu na rede twitter o deputado da Esquerda Unida (IU), Ricardo Sixto, queixando-se dos excessivos controlos a quem tenta entrar no Congresso.
“Dentro do Congresso hoje não sinto segurança mas claustrofobia. Que vontade tenho de sair à rua”, escreveu, afirmando que quem está a interferir na normal atividade parlamentar é a polícia e não os manifestantes.
Sixto refere-se ao forte cordão de segurança, com barreiras de ferro e controlo a pessoas e veículos que foi instalado num perímetro em torno do complexo do Congresso de Deputados, num dispositivo de segurança que envolve 1.300 agentes.
O presidente do Congresso, Jesus Posada, afirmou já aos jornalistas não ver “qualquer anormalidade” nas primeiras horas da jornada.
“Espero que essa tranquilidade se mantenha durante todo o dia”, afirmou aos jornalistas.
O motivo do forte dispositivo policial, explicam as autoridades em Madrid, são as doze marchas e manifestações programadas para hoje no centro da capital, entre as quais três simultâneas relacionadas com o protesto "Cerca o Congresso", que pretende rodear o parlamento durante o plenário.
As autoridades espanholas declararam já "tolerância zero" para com manifestantes que participem em qualquer tentativa de cercar o Congresso, tendo Cristina Cifuentes, delegada do Governo em Madrid, advertido que não tolerará esse tipo de protesto enquanto decorre um plenário da câmara baixa das Cortes espanholas.
O artigo 494 do Código Penal espanhol define as penas para quem "promova, dirija ou presida a manifestações ou outro tipo de reuniões perante as sedes do Congresso de Deputados, do Senado ou de um Assembleia Legislativa de Comunidade Autónoma, quanto esteja reunida, alterando o seu normal funcionamento".
Crítico foi hoje o ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, que defendeu o direito à manifestação mas considerou que chegar a um confronto com a soberania nacional representaria “uma agressão ao sistema democrático”.
“Um deputado e um senador são representantes do povo espanhol”, disse, afirmando que combater ideias ou projetos é um debate político mas que questionar a sua legitimidade é discutir a legitimidade do povo espanhol e das eleições.
Elena Valenciano, vice-secretária geral do PSOE, considerou por seu lado que os convocantes do protesto de hoje “manifestam-se de boa fé” e os políticos devem “ouvi-los mais”.
Em declarações à Antena 3, Valenciano disse que os manifestantes “não pretendem tomar o Congresso mas apenas rodeá-lo” e pediu que a secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal “retire as suas palavras” criticas proferidas na segunda-feira.
Cospedal criticou "enérgica e totalmente" o protesto, considerando que não é uma concentração pacífica mas antes procura "ocupar o parlamento", chegando a compará-lo à tentativa de golpe de Estado falhado de 23 de fevereiro de 1981.
A última vez, disse, que se recorda uma iniciativa como a de terça-feira "foi na altura do golpe de Estado e o que se pretendia era tapar a boca a todos os espanhóis".
O protesto está a ser convocado pela "Coordinadora 25S" e pela "Plataforma en Pie", que defende uma agenda de desobediência civil, protestos e uma "assembleia permanente" de cinco dias de duração nas imediações do Congresso de Deputados.
Estão programadas três marchas simultâneas que deverão confluir na Puerta del Sol, na Praça Neptuno e na Praça Cibeles, às 17:30, e cujos participantes pretendem deslocar-se depois para o Congresso.
Convocatórias idênticas estão marcadas para várias cidades espanholas, incluindo Barcelona, onde o coletivo "Acampada de Barcelona" - associado ao movimento 15 M - promove o protesto "cercar o parlamento" regional.
ASP.
















