Renamo mais 18 partidos da oposição rejeitam convite da Frelimo para congresso

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Bandeira de Moçambique
Maputo, 21 set (Lusa) - Dezanove partidos da oposição moçambicana, incluindo a Renamo, rejeitaram hoje um convite que, afirmam, lhes foi dirigido pela Frelimo para participarem no seu X Congresso, alegando "marginalização e exclusão socioeconómica resultante de acentuada intolerância política".
A partir de domingo e até ao dia 28, a cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vai acolher o X Congresso da Frelimo (partido no poder), que irá eleger um novo presidente do partido, nova Comissão Política e membros dos órgãos colegiais.
Em comunicado hoje enviado à Lusa, o grupo de 19 partidos, denominado "Os Partidos Políticos da Oposição de Mãos Dadas", afirma ter recebido cartas-convite do líder da Frelimo, Armando Guebuza, para assistir ao congresso, mas garante que declinou a convocação por alegada "marginalização" nas discussões de temas de interesse nacional.
"Os partidos aqui em referência comunicam a Vossa Excelência (Armando Guebuza) que não vão participar, nem vão indicar qualquer representante seu para participar no referido Congresso, porque a distância que a Frelimo, na qualidade de partido/governo, criou e vai cristalizando é enorme", lê-se na carta enviada ao presidente da Frelimo.
As forças políticas da oposição afirmam que "não haverá ambiente favorável para os partidos participarem em eventos como o X Congresso, enquanto não houver diálogo entre a Frelimo/Governo e os partidos da oposição, como forma de convivência pacífica e democrática no país".
A rejeição deve-se também à não aprovação de "uma lei eleitoral consensual, que poderá conduzir os próximos pleitos eleitorais duma forma livre, justa e transparente", e à "não aprovação de uma lei sobre o Estatuto da Oposição, como forma de assegurar a participação condigna na vida do país", refere a missiva.
Os 19 partidos da oposição consideram que "enquanto não houver clareza no objeto da revisão da Constituição da República, de modo a assegurar o verdadeiro Estado de Direito, onde a separação de poderes é uma realidade" e "enquanto a Frelimo/Governo marginalizar a participação da Oposição na negociação e concessão de mega projetos às multinacionais, vedando, muitas vezes, a participação do empresariado nacional" sempre recusarão este tipo de convites.
"Enquanto a Frelimo/Govemo continuar a excluir, de forma premeditada, da participação da Oposição nos grandes eventos de interesse nacional, não haverá ambiente favorável para os partidos participarem em eventos como este do X Congresso", refere a carta assinada por Francisco Campira, secretário executivo do grupo de partidos.
"Queremos igualmente, por último, alertar e tornar público que, naquele congresso da Frelimo, não gostaríamos que a nossa posição de oposição fosse profanada por certos partidos que, ligados por motivos obscuros ao partido no poder, vezes sem conta e sem mandato e nem legitimidade para tal, se têm apresentado, em uma voz, como representantes da oposição moçambicana. Para esses firmamos a nossa posição de distância com os seus discursos que nada têm de oposição", dizem "Os Partidos Políticos da Oposição de Mãos Dadas" na nota.
A agência Lusa em Maputo tentou obter um comentário da Frelimo sobre o assunto, até ao momento sem qualquer resultado.
MMT.

















