Risco de escassez de medicamentos com a redução de despesa prevista para 2013 - Apifarma

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O Presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica – APIFARMA, João Almeida Lopes, após uma comissão parlamentar na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de janeiro de 2012. MARIO CRUZ/LUSA
Lisboa, 20 set (Lusa) - A indústria farmacêutica alertou hoje a comissão de economia para o risco de virem a faltar medicamentos se no próximo Orçamento de Estado for mantido o objetivo de redução de 400 milhões de euros nas despesas com fármacos.
A Associação Portuguesa da Industria Farmacêutica (Apifarma) foi hoje ouvida pelos deputados da Comissão de Economia, a quem tentaram sensibilizar para não manter o objetivo de despesa com medicamentos até 1% do PIB (Produto Interno Bruto) inscrito no memorando da troika.
Segundo o presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, está em causa uma “redução adicional de 400 milhões de euros para 2013, depois de se ter reduzido 300 milhões em 2012 e 300 milhões em 2011. Em três anos são mil milhões de euros, o que é insuportável”.
João Almeida Lopes considera ainda que o objetivo da troika se deveria aplicar apenas aos medicamentos de ambulatório e não a todos.
“Não vale a pena objetivos exigentes que não são exequíveis e que põem em causa toda a cadeia do medicamento”, afirmou, em declarações à Lusa.
O responsável alertou para os prejuízos que podem decorrer desta medida, como a falta de medicamentos nas farmácias, o encerramento de laboratórios e a dificuldade de os doentes encontrarem os remédios de que precisam, “o que já começa a acontecer”.
Almeida Lopes lembrou ainda que o próprio Ministério da Saúde já reconheceu que houve poupança nestes anos e considerou que “não vale a pena insistir no que não vai ser possível”.
“Temos de perceber que a área da saúde e em particular os medicamentos têm contribuído com valores de poupança muito significativos, o que não se verifica noutros setores”, sublinhou.
Relativamente aos deputados que hoje ouviram a Apifarma, o presidente afirmou ter havido uma “clara abertura” para perceber as razões da indústria e as suas implicações e relevância não só para a área da saúde, mas também para o setor económico.
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