
Ministério da Saúde continua a abrir concursos com baixo preço como único critério - Ordem Médicos
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Lisboa, 12 jul (Lusa) - O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) denunciou hoje que o Ministério da Saúde continua a abrir concursos de aquisição de serviços médicos em que "o único critério" é o baixo preço.
José Manuel Silva disse à agência Lusa que foi publicado na quarta-feira em Diário da República "mais um concurso para médicos da ARS do Algarve em que o único critério foi o baixo preço".
Para o bastonário da OM, esta situação demonstra que "o Ministério da Saúde não esteve de boa-fé em todo este processo", apesar de os médicos terem vindo a insistir que "é necessário arrepiar caminho e criar alternativas para a política de saúde deste Governo".
"Apesar de fazer promessas de que tinha alterado os procedimentos, não suspendeu os concursos que estariam em trânsito, não sabemos quantos são, nem quais são, nem onde estão, e ontem fomos surpreendidos com esta publicação em Diário da República de mais um concurso para a ARS do Algarve que tinha o mais baixo preço como o único critério", afirmou.
José Manuel Silva considerou a política do Ministério da Saúde "absolutamente insustentável" e reiterou o desafio que já fez ao ministro da Saúde, Paulo Macedo, para "um debate público sobre a política do medicamento e a política de saúde, porque quem não deve não teme debate".
"Nós decidimos marcar estes dois dias de greve, com esta adesão maciça, que contou com a compreensão dos doentes, porque estamos a lutar pelo Serviço Nacional de Saúde e pelos doentes", sendo "absolutamente incompreensível esta filosofia de má gestão do Ministério da Saúde".
Por isso, defendeu a necessidade de "introduzir mudanças rapidamente, alertando que "os profissionais de saúde e os doentes não vão permitir que o Serviço Nacional de Saúde seja destruído".
"É bom que o Governo compreenda isso rapidamente porque senão pode ter outras surpresas, tal como teve com a imensa dimensão desta greve, que contou com a compreensão e a comunhão de preocupação dos doentes", sustentou.
Os médicos cumprem hoje o segundo dia de greve, que teve uma adesão a nível nacional no primeiro dia que ultrapassou os 95 por cento, segundo a Federação Nacional dos Médicos.
Na base deste protesto estão 20 reivindicações dos clínicos, sendo a mais polémica o fim do concurso de aquisição de serviços médicos.
Os médicos reclamam a defesa da "qualidade do exercício da profissão médica e da sua formação contínua" e recusam "as múltiplas e graves medidas governamentais de restrição no acesso aos cuidados de saúde para um número crescente de cidadãos, colocando permanentes situações dramáticas aos vários sectores de profissionais de saúde".
Durante estes dois dias, os serviços mínimos e os meios necessários são os mesmos que existem aos domingos e feriados nas instituições de saúde.
HN(SMM)
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