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Teatro: “D.Maria, a louca” protagonizada por Maria do Céu começa digressão brasileira

A peça, uma produção da companhia portuguesa A Barraca, estreou em julho do ano passado no Cinearte em Lisboa, e conta uma noite de insónia da Rainha D. Maria I, entre a loucura e lucidez, refletindo sobre a sua vida e o reinado.


A atriz Maria do Céu Guerra, durante a reunião de criadores, trabalhadores e agentes das áreas artísticas e culturais, para tentar encontrar soluções que impeçam a aplicação das medidas de austeridade comunicadas pelo Ministério da Cultura: redução em 10 por cento dos apoios financeiros e a cativação de 20 por cento das verbas dos Institutos públicos do setor, 05 julho 2010, no Teatro Maria Matos, em Lisboa. JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

A atriz Maria do Céu Guerra, durante a reunião de criadores, trabalhadores e agentes das áreas artísticas e culturais, para tentar encontrar soluções que impeçam a aplicação das medidas de austeridade comunicadas pelo Ministério da Cultura: redução em 10 por cento dos apoios financeiros e a cativação de 20 por cento das verbas dos Institutos públicos do setor, 05 julho 2010, no Teatro Maria Matos, em Lisboa. JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

Lisboa, 20 set (Lusa) – A peça “D. Maria, a louca”, de Antônio Cunha, uma criação artística de Maria do Céu Guerra, inicia sexta-feira uma digressão por palcos brasileiros.

A peça, uma produção da companhia portuguesa A Barraca, estreou em julho do ano passado no Cinearte em Lisboa, e conta uma noite de insónia da Rainha D. Maria I, entre a loucura e lucidez, refletindo sobre a sua vida e o reinado.

Partilha o palco com Maria do Céu Guerra Adérito Lopes, no papel da escrava D. Joana Rita, uma negra anã que era a preferida da Rainha e ouve os seus queixumes, medos e lamentos.

“D.Maria, a Louca” sobe à cena sexta-feira no Teatro Governador Pedro Ivo, no âmbito do Festival de Florianópolis, no Estado de Santa Catarina.

No domingo, a peça apresenta-se no Teatro Marajoara, em Lajes, e na terça-feira em Jaraguá do Sul, no Teatro SCAR, numa cerimónia de comemoração aos 60 anos da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Santa Catarina.

Na quarta-feira, os delírios da Rainha que mandou erguer a Basílica da Estrela, em Lisboa, interpretados por Maria do Céu Guerra, são levados à cena no Teatro SESC em Joinville e no dia 28 no Teatro Municipal de Itajaí.

Durante o espetáculo de hora e meia a personagem “D. Maria” refere os seus temores por ter assinado a sentença de morte de Tiradentes, o líder da revolta contra a Coroa portuguesa, no Brasil, no processo que ficou conhecido como “Inconfidência Mineira” (1792).

A Rainha lamenta ter aceitado casar com o tio, o infante D. Pedro, e chora a morte do seu primogénito, D. José, ri-se dos modos da nora, Carlota Joaquina, e considera fraco o filho, D. João VI com quem veio para o Brasil para fugir às tropas napoleónicas.

Em declarações à agência Lusa, Maria do Céu Guerra afirmou que D. Maria I “é uma personagem maravilhosa e fascinante".

"Eu acho que cada um de nós tem uma D.ª Maria própria e, de acordo com aquilo que é o nosso posicionamento relativamente ao seu tempo, à loucura, ao marquês de Pombal, à maternidade, à culpa, à religião, é que nos faz olhar para a D. ª Maria de maneiras diferentes”, disse.

No dia 30 de setembro “D.ª Maria, a Louca”, do brasileiro Antônio Cunha, sobe à cena no Teatro Elias Angeloni, em Criciúma, última atuação no Estado de Santa Catarina.

No dia 03 de outubro “D.ª Maria, a louca” sobe à cena no Teatro SESC, em Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro. No dia seguinte estará em cena no SESC da Tijuca no Rio de Janeiro, e no dia 08 no SESC Ginástico, também na capital carioca.

Maria do Céu Guerra afirmou que este “é um papel exigente, na medida em que a Rainha vagueia entre a luz e a escuridão da loucura, as muitas janelas que a demência abre, como ela própria diz”.

A atriz começou a trabalhar em teatro, ainda estudante universitária no final da década de 1960, tendo integrado o núcleo fundador da Casa da Comédia, em Lisboa. Profissionalizou-se em 1970, sob a direção de Carlos Avilez, no Teatro Experimental de Cascais. Trabalhou durante um hiato no teatro de revista, regressou à Casa da Comédia,

Em 1975 fundou com Mário Alberto e Hélder Costa, a companhia de Teatro A Barraca, na qual se mantém, tendo protagonizado peças de Gil Vicente, García Lorca, Dário Fo, Ribeiro Chiado, Bertolt Brecht, Rainer Werner Fassbinder, Ionesco, William Shakespeare, Ettore Scola e Luís Sttau Monteiro, entre outros, bem como produções próprias.

Integrada nesta companhia tem-se apresentado em vários festivais internacionais de teatro como o de Florianópolis com o qual abre a digressão pelo Brasil.

NL.

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