
'Copiloto' criado na Universidade de Aveiro põe viaturas a trocar dados
Aveiro, 12 jul (Lusa) - O Instituto de Telecomunicações da Universidade de Aveiro acaba de ultimar um 'copiloto' eletrónico que permite aos automóveis trocarem entre si informações, sem intervenção humana, para que o condutor tome a melhor opção.
Velocidades e travagens de carros nas proximidades, acidentes, obstáculos, estado das vias e densidade do tráfego são algumas das informações registadas e difundidas em rede pelos próprios veículos, às quais o condutor acede em tempo real.
O sistema, denominado 'Drive-In', pode ser instalado em qualquer viatura em cerca de uma hora e já tem empresas interessadas na sua produção e comercialização, devendo chegar ao mercado com um preço a rondar os 250 euros.
A invenção da universidade permite também enviar informações sobre qualquer problema mecânico, quer para os carros em redor, quer para uma oficina e serviços de reboque.
Simultaneamente, o próprio carro, em caso de acidente, alerta os serviços de emergência médica, indicando o local onde se encontra o condutor em apuros, enquanto avisa os veículos que circulam nas proximidades.
Maior segurança na condução é uma das funcionalidades marcantes do 'copiloto' desenvolvido por aquela unidade de investigação do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática.
"Antes de ultrapassar um camião, se este tiver uma câmara no para-brisas apontada para a frente, o condutor à retaguarda, ao ver essas imagens, sabe automaticamente se o espaço que o pesado tem à frente é suficiente para efetuar a manobra em segurança", explica Susana Sargento, professora da Universidade de Aveiro e uma das coordenadoras do projeto do instituto.
O sistema é constituído por um pequeno ecrã, a placa eletrónica em que os dados são acumulados, uma antena e uma pequena câmara de filmar, para que outros condutores possam ver imagens do que se passa à frente do carro.
O 'segredo' do 'Drive-IN', que é a chave da troca de informações entre veículos em tempo real, é um 'rotter-wireless' desenvolvido pelo instituto.
"Permite que os condutores tenham acesso à internet à velocidade de 4G [gigabytes], através de um normal recetor, seja um telemóvel, um computador portátil ou uma 'tablet', na qual recebem toda a informação partilhada pelos outros veículos, como também, noutro sentido, permite difundir os próprios dados recolhidos pelo veículo", descreve a docente.
Comparativamente com outros meios de comunicação entre veículos que usam tecnologia 'WiFi' com velocidades de 3G, o 'Drive-In' permite ter a dinâmica e velocidades das redes veiculares, tem mais funcionalidades e não precisa de duas placas de comunicação para ter tipos de serviços diferentes.
O projeto 'Drive-In', cuja tecnologia foi desenvolvida de raiz na Universidade de Aveiro, conta com a colaboração das universidades do Porto e de Carnegie Mellon (EUA) e tem como meta ser incluído de série na produção automóvel.
MSO.
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